Estudantes da UNIRIO desenvolvem portal que relata casos de preconceito na internet

Estudantes da UNIRIO desenvolvem portal que relata casos de preconceito na internet

Idealizado por aluno do Bacharelado em Sistemas de Informação, ‘Radar do Preconceito’ reúne ocorrências de discriminação. Projeto foi premiado em concurso de inovação e empreendedorismo

Um portal que relata situações de preconceito e discriminação, por meio de denúncias anônimas e pela busca em sites de notícias. Trata-se do “Radar do Preconceito”, projeto idealizado por Nathan Aguiar Neves, aluno do Bacharelado em Sistemas de Informação, e desenvolvido juntamente com outros quatro estudantes da UNIRIO e dois da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Em fase final de desenvolvimento, o portal na web e o aplicativo para celular e tablets deverão estar disponíveis em breve. Antes mesmo de entrar em pleno funcionamento, porém, o projeto foi premiado na 8ª edição do Campus Mobile, concurso de inovação e empreendedorismo realizado pela Associação do Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC), com patrocínio do Instituto Claro e apoio da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

O projeto venceu na categoria Diversidade. A premiação, que aconteceu no início deste mês, foi recebida com surpresa por Nathan. “Quando eles falaram que eu havia sido o ganhador eu não conseguia acreditar. Eram muitos projetos excelentes, alguns deles premiados internacionalmente, então pensei que a chance do meu projeto ganhar era mínima”, confessa.

Inteligência artificial

A ideia do “Radar do Preconceito” surgiu a partir de vivências de racismo sofridas por Nathan e por seu pai, e foi impulsionada por um evento da área de tecnologia.

“Creio que a principal motivação foram ofensas feitas em direção a mim e a meu pai no aniversário dele, cerca de dois anos atrás. Pouco depois, houve uma maratona de desenvolvimento cuja temática era sobre cidades inteligentes. Eu quis dar uma nova perspectiva a esse tema, já que quase sempre os problemas resolvidos são a respeito de transporte ou segurança”, conta.

Ao lado de Nathan, atuam no projeto os estudantes João Victor Figueira, Leonardo Negreiros e André Vilardo, da UNIRIO, e Christopher Corrêa e Breno Froes, da UFF. Eles criaram uma série de funcionalidades que permitem coletar denúncias de portais de notícias, usando web scraping (técnica de coleta de dados na internet) e inteligência artificial, para avaliar, retirar dados relevantes e classificar cada notícia por tipo de preconceito.

“Além disso, permitimos que usuários possam, anonimamente, enviar suas próprias denúncias de situações ocorridas com eles. A partir desses dados, estatísticas podem ser criadas. A alma do projeto são essas funcionalidades e a partir delas nascem as outras”, explica Nathan.

Uma das funcionalidades derivadas é o mapa de calor, que permite ao usuário visualizar quais casos de preconceito estão ocorrendo em determinada região, sendo possível filtrar por tipo de preconceito e ver sua gravidade. Esses casos são mostrados a partir das denúncias feitas pelos próprios usuários e coletadas por inteligência artificial. A partir desses dados, é possível obter precisamente o local e a data da ocorrência e, assim, manter o mapa atualizado.

Contato com profissionais

No portal, além de relatar situações de preconceito, será possível também contatar profissionais que atuam em contextos de luta contra a discriminação e que estejam próximos do usuário. “Nós disponibilizamos esse espaço na plataforma para que profissionais, como advogados e psicólogos, possam oferecer ajuda para as vítimas por um preço com abono, ou até consultoria sem custo”, destaca Nathan.

De acordo com o estudante, a intenção é que, após sofrer um caso de discriminação, o usuário possa fazer uma denúncia pelo portal e contatar um profissional mais próximo para uma ajuda mais imediata.

“Buscamos oferecer uma forma de empoderamento a essas pessoas e, assim, diminuir o senso de impunidade que esses acontecimentos causam. A plataforma também se abre para outros profissionais que não atuam diretamente em ambientes de luta, mas querem ajudar ou oferecer serviços com abono para pessoas que fazem parte de minorias sociais”, ressalta.

Parcerias

Para Nathan, o prêmio recebido no início do mês abre possibilidades para toda a equipe, principalmente no que se refere à busca por apoio para o projeto. Atualmente, o “Radar do Preconceito” conta com duas parcerias, da Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio de Janeiro e do Observatório Trans.

“Nosso objetivo é solidificar essas parcerias e arranjar novas, para que o projeto possa se tornar relevante. Além disso, o lançamento do aplicativo e futuras melhorias para o projeto estão como nossa prioridade também”, diz Nathan.

Assista ao vídeo de divulgação do “Radar do Preconceito”.